segunda-feira, 21 de maio de 2012

1. Um enfraquecimento habitual do mau desejo - John Owen


 


Toda lascívia (desejo mau) é um hábito depravado, que continuamente inclina o coração para o mal. Em Gênesis 6:5, temos uma descrição de um coração no qual o pecado não foi mortificado: "era continuamente mau todo desígnio do seu coração". Em todo homem não convertido, há um coração que não foi mortificado e que está cheio de uma variedade de desejos ímpios, e cada um desses desejos está continuamente clamando por satisfação.

Concentrar-nos-emos apenas na mortificação de um desses desejos. Este desejo (pense no pecado que mais lhe atrai) é uma disposição forte, habitual, e profundamente enraizada, que inclina a vontade e os sentimentos para certo pecado em particular. Uma das grandes evidências de tal desejo mau é a tendência para se pensar nas diversas maneiras de gratificá-lo (veja Rom. 13:14). Este hábito pecaminoso (ou seja, a lascívia ou desejo mau) opera violentamente. "Fazem guerra contra a alma" (1 Ped. 2:11) e buscam tornar a pessoa um "prisioneiro da lei do pecado" (Rom. 7:23). Ora, a primeira coisa que a mortificação efetua é o enfraquecimento deste desejo mau, de modo que se torna cada vez menos violento nos seus esforços para provocar e seduzir a pecar (veja Tiago 1:14,15).

A esta altura, é preciso que se faça uma advertência. Todos os desejos maus têm o poder de seduzir e provocar alguém a pecar, porém parece que não têm, todos eles, o mesmo poder. Há pelo menos duas razões pelas quais alguns desejos maus parecem ser muito mais fortes do que outros:

a)      Um desejo mau pode ser mais forte do que outros na mesma pessoa e também mais forte do que o desejo numa outra pessoa. Há muitas maneiras pelas quais este poder e vida extras são dados, mas especialmente isso ocorre por meio da tentação.

b)      A ação violenta de alguns desejos maus é mais óbvia do que a de outros. Paulo sublinha uma diferença entre impureza e todos os outros pecados. "Fugi da impureza! Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer, é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo" (1 Cor. 6:18). Isso significa que pecados dessa natureza são mais facilmente discerníveis do que outros. Contudo, uma pessoa com um amor desordenado pelo mundo pode estar debaixo do poder desse desejo mau (embora esse poder não seja tão óbvio) tanto quanto outro homem que é cativado por um desejo mau ou por uma imoralidade sexual.

A primeira coisa, então, que a mortificação efetua é um enfraquecimento gradual dos atos violentos do desejo mau, de modo que seu poder para impelir, despertar, perturbar e deixar a alma perplexa seja diminuído. Isso é chamado de crucificar "a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gál. 5:24). Esta linguagem é muito gráfica, como se pode ver na seguinte ilustração:

Pense num homem pregado numa cruz. A princípio o homem se esforçará, lutará e clamará com grande intensidade e poder. Depois de certo tempo, à medida em que vai perdendo sangue, seus esforços se tornam fracos e seus gritos baixos e roucos. Da mesma maneira, quando um homem se propõe a cumprir seu dever de mortificar o pecado, há uma luta violenta; todavia à medida em que a força e a energia do desejo mau se esvai, seus esforços e gritos diminuem. A mortificação radical e inicial do pecado é descrita em Romanos, capítulo 6, e especialmente no versículo 6:

"Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem" - para qual propósito? ~ "para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos ao pecado como escravos".

Sem esta mortificação inicial e radical, realizada mediante união com Jesus Cristo, como descrita em Romanos, capítulo 6 (no próximo capítulo diremos mais sobre isto), uma pessoa não pode fazer progresso na mortificação de um único desejo mau. Uma pessoa pode dar pauladas no mau fruto de uma árvore má até ficar esgotada, porém enquanto a raiz permanecer forte e vigorosa nenhum grau de espancamento impedirá que a raiz produza mais frutos maus. Esta é a tolice que muitas pessoas praticam quando se dispõem com todo fervor a quebrar o poder de qualquer pecado em particular, sem realmente atacar e ferir a raiz do pecado (como acontece quando um cristão é unido a Jesus Cristo).

2. Uma contenda e uma luta constante contra o pecado

Quando o pecado é forte e vigoroso, a alma não consegue fazer grande progresso espiritual. A não ser que constante-mente lutemos contra o pecado, ele crescerá forte e vigorosa-mente, e nosso progresso espiritual será constantemente impedido. Há três coisas importantes no contendermos com o pecado. São as seguintes:

a)      Precisamos conhecer nosso inimigo e estar determinados a destruí-lo por todos os meios possíveis. Temos que lembrar que estamos num conflito acirrado e árduo, um conflito que tem sérias consequências. Precisamos estar alertas "conhecendo cada um a chaga do seu coração" (1 Reis 8:38). Precisamos guardar-nos de pensar levianamente nessa chaga. E de se lamentar que muitos tenham tão pouco conhecimento do grande inimigo que levam com eles nos seus corações. Isso os torna dispostos a se justificarem e a ficarem impacientes com qualquer reprovação ou admoestação, não se apercebendo de que estão correndo perigo (veja 2 Cron. 16:10).

b)      Precisamos nos esforçar para aprender os modos de agir de nosso inimigo, suas estratégias e os métodos de combate que ele emprega, as vantagens que ele procura obter e, até mesmo, detectar as ocasiões quando o seu ataque é mais bem sucedido. Quanto mais soubermos estas coisas, melhor estaremos preparados para lutar e contender com o pecado. Por exemplo: se observarmos que o inimigo repetidamente se aproveita de nós, e leva vantagem, em determinada situação, então procuraremos evitar essa situação. Precisamos buscar a sabedoria do Espírito contra as ciladas do pecado que habita em nós, para que possamos rapidamente discernir as sutilezas do nosso inimigo e frustrar seus planos maus contra nós.

c) Precisamos empenhar-nos diariamente para utilizar todos os meios que Deus ordenou para ferir e destruir o nosso inimigo (alguns desses serão mencionados mais adiante). Jamais devemos permitir que sejamos conduzidos a uma falsa segurança, pensando que nossos desejos pecaminosos já estão mortos devido estarem quietos. Em vez disso precisamos aplicar-lhes novos golpes e surras todos os dias (vejaCol. 3:5).

3. Sucesso na nossa oposição e no nosso conflito com o pecado que habita em nós. Quando há frequente sucesso contra qualquer desejo mau, isso é uma outra evidência da mortificação do pecado. Por sucesso queremos significar uma vitória sobre ele, acompanhada da intenção de dar sequência a essa vitória e atacar novamente. Por exemplo: quando o coração detecta as ações do pecado que habita em nós (procurando nos seduzir, nos atiçar, influenciar nossa imaginação, etc) ele imediatamente ataca o pecado, o expõe à lei de Deus e ao amor de Cristo; ele o condena e o executa.

Quando uma pessoa experimenta tal sucesso e sabe que a raiz do desejo mau foi, na verdade, enfraquecida, e que sua atividade foi contida de modo que não pode mais impedi-lo de cumprir o seu dever ou interromper sua paz como acontecia antes, então o pecado foi, em considerável medida, mortificado.

Este enfraquecimento da raiz do desejo mau é realizada principalmente pela implantação, continuidade e cultivo constante da vida espiritual da graça, que se coloca em oposição direta ao desejo mau, e lhe é destruidora (compare com o capítulo 4, pág. 110, item 2). Desse modo, pela implantação e pelo crescimento da humildade, o orgulho será enfraquecido. Da mesma maneira, a paciência tratará da paixão; a pureza da mente e da consciência cuidará da impureza; a mente celestial porá fim ao amor deste mundo, e assim por diante.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

10 MOTIVOS PORQUE NÃO SOMOS UMA IGREJA QUE GRITA

 Por Pr. Weber F. Alves  (Igreja Congregacional em Esperança/PB)
                Muitas pessoas procuram os membros de nossa igreja ou até mesmo a mim como pastor para saber por que as pessoas não “glorificam a Deus” nos nossos cultos. A pergunta sempre é mal elaborada, pois a verdadeira curiosidade é saber por que os irmãos não gritam expressões como “glória a Deus” e “Aleluias” durante os nossos cultos. Alguns na verdade usam adjetivos como “frios” ou “crus” para estigmatizar e caracterizar nossa vivência enquanto igreja. Nestes últimos dias estive pensando que tipo de resposta devemos dar àqueles que nos consideram frios por causa do tipo de nossa liturgia e alistei, ao menos, dez motivos que abaixo relaciono:
1.    Porque Deus não é surdo – Algumas pessoas não evangélicas quando visitam algumas igrejas e saem do culto perguntando por que os crentes gritam tanto. Eles saem da igreja afirmando: “Deus não é surdo!”. Precisamos admitir que, neste sentido, elas têm razão ao afirmar isso. Nossos gritos não convencem Deus de que o amamos. Na verdade, deste ponto de vista, eles são desnecessários, pois a Bíblia diz que Deus conhece até os nossos pensamentos (Sl. 139.4). É verdade que Deus não é surdo, mas me permita ironizar, afirmando que se ele tivesse tímpanos como os nossos, certamente, incorreria no risco de ficar surdo pelo modo como algumas igrejas e crentes o cultuam. Nossas orações devem vir de corações apaixonados, mas isso não significa que temos de gritar desesperados como se Deus não estivesse ouvindo. Lembro-me que quando Elias desafiou os 450 profetas de Baal foram eles quem gritaram desesperados ao seu falso deus, enquanto Elias fez uma simples e sincera oração (1 Reis 18.36-40). Deus atendeu a oração de Elias sem precisar de gritos, mas os profetas de Baal não tiveram resposta porque clamaram a um deus falso. No caso de Jesus, a única vez que ele bradou aos céus foi quando estava na cruz durante seu suplicio (Mateus 27.46,50).
2.    Porque somos uma comunidade educada – A gritaria em algumas igrejas, antes de expressar um culto fervoroso, pode expressam mau educação. As crianças ficam assustadas, espanta alguns visitantes, e alguns incrédulos decidem nunca mais pisar o pé naquele ambiente religioso. Nós somos uma comunidade educada, pois glorificamos a Deus sem precisar gritar desordenadamente. 
3.    Porque barulho não é sinônimo de unção, haja vista que lata vazia também faz barulho. Ao longo de minha vida cristã tenho percebido que muitos dos crentes que mais “glorificam” com gritos nos seus cultos também gritam descontroladamente com suas esposas em casa. O barulho nem sempre denuncia unção. Lembro-me de que quando o profeta Elias estava fugindo da rainha Jezabel e do rei Acabe, escondendo-se numa caverna no monte Horebe, Deus falou-lhe num cicio tranqüilo e suave (um sussuro amável), e não no meio de um vento, de um terremoto, ou de fogo que também passava (1 Reis 19.9-13). Deus estava respondendo a Elias de uma forma inesperada, no silêncio, contrariando todas as noções do profeta.
4.    Porque prezamos por um culto descente e ordeiro – O apóstolo Paulo instrui aos crentes em Corinto que o culto deve ser feito com ordem e decência. Naquela igreja era comum a desordem cúltica, onde diversos irmãos profetizavam, falam em línguas ou glorificam simultaneamente. O culto era uma gritaria desordenada e Paulo repreendeu os irmãos dizendo-lhes: “faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Coríntios 14.40)
5.    Porque não há base bíblica para estarmos gritando no culto. Simplesmente nenhum texto da Bíblia nos manda cultuar desta forma e, mesmo os textos do Antigo Testamento que apresentam o povo de Israel bradando, não servem de amparo para justificar a gritaria durante os cultos, pois eles não são relatos de um culto litúrgico, nem são aparados por qualquer ordem bíblica para assim o fazermos.
6.    Porque não queremos que os incrédulos escarneçam de nosso culto. A Bíblia diz que a mensagem do evangelho é loucura para os que se perdem (1 Coríntios 1.18). Assim, é de se esperar que alguns não crentes zombem do evangelho naturalmente por não entender, por exemplo, que através da morte de Cristo temos vitória, vida e salvação. Eles não crêem e zombam. Desta zombaria, porém, não nos importamos, porque ela é bíblica. Mas não podemos comparar esta experiência com a daqueles não-crentes que zombam após um culto repleto de gritarias anarquizadas. Não queremos dar motivos para os incrédulos escarnecerem de nós por procedermos de maneira desordeira.
7.    Porque não queremos atrapalhar as pessoas de ouvir a Palavra de Deus. Já fui para ambientes evangélicos em que não consegui entender os louvores, nem muito menos a pregação por causa de irmãos “espirituais” que gritavam mais alto do que o volume do som. São ambientes onde as pessoas saem dizendo que o culto foi uma bênção, mas, quando perguntadas acerca da mensagem, dizem que não entenderam nada “porque o fogo desceu”. No nosso culto a mensagem da Palavra é o centro, o momento em que Deus nos fala e precisamos dar toda atenção. Podemos glorificar a Deus, mas de uma forma que não atrapalhe as pessoas de ouvir e entender a Palavra de Deus.
8.    Porque estas expressões de culto são como coreografias aprendidas e repetidas sem voluntariedade. Os irmãos aprendem isso na liturgia e estão automatizados. Não há espontaneidade e, quando a coisa funciona assim, não é culto, mas religião fria e automática. Não vem do coração, nem mesmo da cabeça, mas é automático com um motor de um automóvel.
9.    Porque queremos oferecer um culto racional a Deus. É isso que o apóstolo Paulo nos diz: “que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” (Rm. 12.1). Um culto racional é um culto inteligente, no qual você entende a mensagem com a mente e absolve com o coração. Alguns cultos por ai a fora as pessoas não entendem o que está sendo pregado e gritam “Glória a Deus!”. Quantas vezes já ouvi alguém num certo culto glorificar a Deus depois do pregador dizer que o diabo veio para destruir. Quando isso acontece, o irmão não entendeu a mensagem ou não sabe o que significa “glória a Deus!”. É preciso dizer para ele: “não é ‘Aleluia!’ irmão, é ‘misericórdia!’. 
10. Porque não se mede um culto pela quantidade de glórias que se grita, mas pela sinceridade do adorador. No céu não existe um aparelho chamado “glorômetro”, com o qual Deus ou seus anjos meçam a qualidade dos cultos oferecidos. Por mais que possamos manifestar atos externos sinceros, é importante perceber que, às vezes, alguns irmãos procuram competir espiritualidade a partir da potência vocal de glórias no culto. Lembremo-nos que quem se preocupava em demonstrar espiritualidade eram os hipócritas (fariseus) e Jesus disse que sua recompensa era a dos homens (Mateus 6.5-8).
Entenda, querido leitor! Não estou querendo dizer que não devemos ter expressões de louvor a Deus; longe de mim querer partir para o outro extremo que proíbe qualquer tipo de manifestação espontânea de adoração. Encontramos na Bíblia diversos momentos de expressões verbais de culto e adoração pública. Nossa comunidade é o lugar onde estas experiências de louvor podem acontecer, mas sem perder a ordem do culto. Ninguém é proibido de louvar a Deus em nossa igreja, mas não queremos medir o poder de nossa igreja a partir da quantidade de gritos que emitimos durante o culto, nem queremos tornar isso uma coisa automática e desregrada.
Que o Senhor nos abençoe a ajude a trilharmos o caminho do equilíbrio.

terça-feira, 15 de maio de 2012

SEMINÁRIO CONGREGACIONAL FAZ MAIS UM AVANÇO MISSIONÁRIO


Nestes dias 04,05, e 06 do corrente o Seminário Congregacional em João Pessoa/PB em parceria com a 1a Igreja Congregacional em João Pessoa fizeram mais um avanço missionário. São sempre dois que o Seminário promove no ano. 
Com dois ônibus lotados (cerca de 105 pessoas), entre alunos do Seminário, e membros da 1a Igreja, e sob a direção do Pr. Bartolomeu Lopes (professor de evangelismo e discipulado), Joelson Gomes (diretor do Seminário), e Jairo Falcão (Diretor do departamento de missões da Igreja),  viajamos mais de 200 km, para a cidade de Nova Floresta e ali apoiamos a Igreja Congregacional Local. Foram dias de muito trabalho e bênção. Muitas vidas evangelizadas e muitas decididas. No sábado 06, fizemos um culto na praça central da cidade onde congregamos quase 500 pessoas para ouvir o evangelho pregado sem subterfugios e em alto e bom som. As crianças tiveram acompanhamento especial e receberam atendimento educativo e evangelistico. 
Destaque para a participação da classe de evangelismo e discipulado do Seminário que capitaneou a organização sob a orientação do professor e pastor Bartolomeu, e para a recepção preparada pela Igreja Congregacional em Nova Floresta, que esteve nos suprindo em tudo e não deixou faltar nada nos dias que estivemos ali. Agora começam os preparativos para o próximo avanço que será no segundo semestre e está quase tudo certo para ser no Ceará. Você vem?

Joelson Gomes
Diretor